A luta em defesa do<br>Poder Local Democrático<br>– As eleições autárquicas de 2017
Se os governos do PS fizeram um caminho que gerou mais dificuldades e restrições à autonomia administrativa e financeira das autarquias, o governo PSD/CDS desenvolveu, afrontando a Constituição da República, uma brutal ofensiva contra o poder local democrático nascido da Revolução de Abril.
Com o governo PSD/CDS entrou-se num novo patamar marcado pela busca da concretização de um projecto de subversão do poder local, que não é separável da tentativa de reconfiguração do Estado aos interesses do capital monopolista.
Das atribuições ao regime financeiro, da organização do território à estrutura de serviços, tudo foi objecto da ofensiva, suspendendo, diminuindo ou eliminando elementos essenciais que deram corpo à autonomia e aos princípios consagrados na Constituição.
Fundada numa cínica «Reforma da Administração Local», esta ofensiva traduziu-se num poder local mais empobrecido na sua dimensão democrática, atingido no exercício das suas atribuições e competências, cerceado de meios e recursos financeiros e humanos capazes de assegurar a capacidade de resposta às aspirações e interesses da população.
A liquidação de freguesias, com a consequente perda de identidade e diminuição da proximidade e participação, a imposição da Lei dos Compromissos, a «obrigatoriedade» da redução de trabalhadores e a proibição de recrutamento traduziram-se na redução da qualidade do serviço público.
Nas investidas contra o poder local e as populações integram-se também os processos de alteração às competências da ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, os processos de agregação e verticalização dos sistemas de água que procurando retirar aos municípios a competência da gestão da água em baixa têm no bojo a sua privatização, ao que se junta os processos de privatização da recolha e tratamento dos resíduos sólidos, a tentativa de transferência para as autarquias de competências da responsabilidade da Administração Central do Estado nas áreas da saúde, educação, segurança social e cultura.
A ofensiva descaracterizadora do poder local avançou muito, mas a resistência, o trabalho, a dedicação de milhares de eleitos, a luta geral dos trabalhadores e do povo, conseguiu travá-la em muitos dos seus aspectos.
Neste tempo em que resistir é já avançar, cada passo que damos, cada direito e conquista reposta por força da luta dos trabalhadores e do povo e da intervenção do PCP é uma vitória das populações e dos trabalhadores.
É neste quadro que valorizamos, fruto da luta dos trabalhadores, da acção de milhares de eleitos e do PCP, a reposição das 35 horas de trabalho semanais na Administração Pública local para todos os que já as tinham, o fim dos cortes salariais, o descongelamento das admissões de pessoal nas autarquias locais, a abertura do caminho para o combate à precariedade laboral.
Não desistimos de aproveitar nenhuma oportunidade para repor e conquistar direitos, defender o poder local democrático e os direitos das populações, mas não perdemos de vista que só com a ruptura com a política de direita, com uma política alternativa patriótica e esquerda é possível construir um Portugal mais justo, com um poder local mais forte nas suas diversas dimensões.
Reforçar a CDU
O processo de reconfiguração do Estado aos interesses do capital monopolista não está derrotado. O Governo do PS prossegue um caminho que, diferente na forma, busca a concretização de alterações que conduzirá a este objectivo, como está patente no prosseguimento das tentativas de municipalização da educação, saúde, cultura e segurança social, na já anunciada «democratização» das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, no reforço das Comunidades Intermunicipais.
Ao invés do caminho trilhado pelos sucessivos governos da política de direita do PS, PSD e CDS-P, mais democracia significa mais poder local, mais e melhores condições de vida para as populações, mais desenvolvimento local e regional.
Não ignorando dificuldades e insuficiências, milhares de eleitos comunistas e seus aliados na CDU agem no dia-a-dia, trabalham com honestidade e competência sempre ao serviço das populações.
A CDU, importante espaço de participação democrática e de acção política, que tendo o PCP e o PEV como suporte jurídico da coligação integra, na sua expressão política, a Intervenção Democrática, para além de milhares de cidadãos sem filiação partidária, é um exemplo da força e das potencialidades da unidade democrática.
Pelo trabalho desenvolvido pelos seus eleitos, a CDU assume-se como a força determinante na luta pelo progresso e pelo desenvolvimento local e regional e na defesa do poder local democrático. É com esta convicção que partimos para a batalha eleitoral autárquica do próximo ano.
Grande força no poder local, a CDU apresentar-se-à nas eleições autárquicas do próximo ano tendo como o eixo prioritário de intervenção política a afirmação do projecto autárquico.
Definindo como objectivo concorrer a todos os órgãos municipais e ao maior número possível de freguesias, a par do reforço da nossa votação e do número de eleitos, com reforço das presidências de câmaras municipais e de juntas de freguesias, o PCP e a CDU apresentar-se-ão no próximo acto eleitoral com a tranquilidade de quem sabe tudo ter feito para melhorar a qualidade de vida das populações e defender o poder local.
Portadores deste capital de prestígio construído no trabalho, na proximidade com as populações, na mobilização e participação popular, na resolução dos problemas e aspirações das populações, o PCP concorrerá nas próximas eleições autárquicas no quadro da CDU.
Vamos pois com confiança prosseguir o trabalho, cumprindo os compromissos com os trabalhadores e o povo, erguendo um grande resultado eleitoral da CDU nas próximas eleições autárquicas, condição para a defesa do poder local democrático, dos serviços públicos e a melhoria da qualidade de vida das populações, contributo para a ruptura com a política de direita e a construção da alternativa.